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O Atlas RL-eye apresenta casos clínicos de Oftalmologia. A qualidade das imagens e dos vídeos, bem como a exaustiva documentação de cada caso clínico, são um poderoso meio para compreender as patologias da retina.

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RETINOPATIAS TRAUMÁTICAS
Síndroma de Terson

A síndroma de Terson é caracterizada pela presença de hemorragia intraocular, secundária a uma hemorragia subaracnoideia (mais comum) ou subdural. Há várias hipóteses para explicar este facto. Aceita-se geralmente que o fluido no compartimento intracraniano extravascular provoca um aumento da pressão intracraniana que consequentemente leva a um aumento da pressão intraluminal nos canais venosos que drenam o globo ocular. Por sua vez, este aumento conduz a uma rotura das veias intraoculares e hemorragia.

A hemorragia pode ser subretiniana, intrarretiniana, prerretiniana (sub-hialóide) ou intravítrea. Da hemorragia pode também resultar um quisto macular hemorrágico (CMH). O CMH está presente em mais de 40% dos doentes com síndroma de Terson. Têm sido descritos dois tipos de CMH. O CMH submembranoso, com sangue acumulado sob a MLI, e no CMH prerretiniano, com sangue localizado entre a MLI e a hialoideia posterior. O quisto pode ter diversas aparências de acordo com a idade. Inicialmente é vermelho, tornando-se branco com a reabsorção do sangue, e transparente quando a sua reabsorção é completa.

A hemorragia intraocular, no contexto da hemorragia intracraniana, tem implicações no prognóstico. Nos doentes com hemorragia subaracnoideia e síndroma de Terson, a mortalidade é duas vezes maior do que em doentes com hemorragia intraocular. O risco de coma num doente com hemorragia intracraniana e síndroma de Terson duplica quando comparado com os casos que não têm hemorragia intraocular. Por este motivo, o exame dos doentes com hemorragia subaracnoideia ou subdural sob midríase é obrigatório.

As complicações oculares da síndroma de Terson incluem: formação de membranas epirretinianas, ambliopia, vitreorretinopatia proliferativa e descolamento da retina.

Mesmo sem qualquer intervenção, o prognóstico é bom. O tratamento deve ser ponderado tendo em consideração as características do doente, a acuidade visual e os achados no fundo. A vitrectomia via pars plana é o procedimento habitual nas hemorragias densas. Se existe CMH e de acordo com as suas características, é efetuada vitrectomia e uma eventual pelagem da MLI (com CMH pré-retiniano).

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