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RETINOPATIAS TRAUMÁTICAS

Resultados 1-8 de 12
   
Commotio Retinae  
 

Commotio retinae é caraterizada por uma descoloração da retina externa devido a rotura dos segmentos externos dos fotorrecetores, provocada por...

Commotio retinae é caraterizada por uma descoloração da retina externa devido a rotura dos segmentos externos dos fotorrecetores, provocada por um traumatismo ocular contundente. Pode ser acompanhada por hemorragias ou rotura da coroideia.

Pode aparecer no centro ou na periferia e, quando envolve a mácula, é chamado de edema de Berlim.

O prognóstico é geralmente bom, exceto nos casos associados a rotura subfoveolar da coroideia e/ou a hemorragia subfoveolar.

Estas alterações resolvem espontânea e gradualmente.

Rotura da Coroideia  
 

As roturas da coroideia são soluções de continuidade da coroideia, da membrana de Bruch e do epitélio pigmentado da retina...

As roturas da coroideia são soluções de continuidade da coroideia, da membrana de Bruch e do epitélio pigmentado da retina provocadas por um traumatismo ocular contundente.

As roturas anteriores são geralmente paralelas à ora serrata, e as roturas posteriores têm uma forma de crescente e são concêntricas ao disco ótico.

O doente pode ter uma visão reduzida se tiver commotio retinae, ou hemorragia subretiniana, ou se a rotura estiver localizada na mácula.

Durante a fase de cicatrização ocorre, com frequência, neovascularização da coroideia.

Retinopatia de Purtscher  
 

A retinopatia de Purtscher é uma vasculopatia vaso-oclusiva e hemorrágica, geralmente precedida de uma forte compressão traumática da cabeça ou...

A retinopatia de Purtscher é uma vasculopatia vaso-oclusiva e hemorrágica, geralmente precedida de uma forte compressão traumática da cabeça ou do tronco.

É caracterizada pela presença de múltiplas manchas esbranquiçadas na superfície da retina e hemorragias retinianas circundando a cabeça do nervo ótico, as quais estão associadas a uma grave perda de visão.

A patogénese da síndroma de Purtscher é pouco clara mas é, possivelmente, causada por uma agregação leucocitária induzida e leuco-embolismo.

Diagnóstico Diferencial

  • Pancreatite aguda
  • Embolia de gordura
  • Embolia de líquido amniótico
  • Pré-eclampsia
  • Síndroma de HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetas baixas)
  • Vasculites (ex. lupus eritematoso sistémico)
Buraco Macular Traumático  
 

O buraco macular traumático é uma abertura anatómica ou deiscência da fóvea, provocada por um traumatismo contundente, que causa alterações...

O buraco macular traumático é uma abertura anatómica ou deiscência da fóvea, provocada por um traumatismo contundente, que causa alterações na interface vítreorretiniana, e origina uma perda da visão central.

Este tipo de lesão ocorre em 6% dos doentes que sofrem este tipo de traumatismo ocular e a sua patogénese não é totalmente conhecida. No entanto, sabe-se que as membranas epirretinianas, a atrofia dos fotorrecetores da fóvea, e forças hidráulicas têm um papel importante na sua formação. Pode ser uma sequela do chamado edema de Berlim.

Os sintomas dependem da fase da doença e incluem perda progressiva da visão central e metamorfopsias. Um buraco macular de maior dimensão pode provocar um escotoma central.

Chorioretinitis Sclopetaria  
 

A Chorioretinitis sclopetaria é uma rotura total atingindo toda a espessura da coroideia e retina, secundária a forças concussivas geradas...

A Chorioretinitis sclopetaria é uma rotura total atingindo toda a espessura da coroideia e retina, secundária a forças concussivas geradas pela desaceleração de um projétil perto da esclera, sem penetrar dentro do globo ocular.

O projétil cria ondas de choque que rompem a coroideia e retina mas deixam a esclerótica intacta. As hemorragias no vítreo são frequentes. As lesões curam com uma cicatriz fibrótica branca e alterações do epitélio pigmentado da retina, e estão geralmente localizadas na periferia da retina.

Diagnóstico Diferencial

  • Rotura da coroideia
Corpos Estranhos Intraoculares  
 

Quando deparamos com um olho traumatizado aberto, a possibilidade de existir um corpo estranho intraocular (IOFB) deve ser confirmada ou...

Quando deparamos com um olho traumatizado aberto, a possibilidade de existir um corpo estranho intraocular (IOFB) deve ser confirmada ou descartada. A TAC é o exame mais fiável para encontrar um corpo estranho intraocular. Sempre que há contradição entre a história clínica e as imagens obtidas, é mais sensato assumir a presença de um IOFB e agir em conformidade.

Um corpo estranho intraocular deve, geralmente, ser removido. Acarreta um risco de endoftalmite, especial no meio rural, onde há a possibilidade do solo estar contaminado. O momento da intervenção deve ser baseado na constituição química do IOFB, bem como nos achados oculares e no estado geral do doente.

Um IOFB pode estar associado com uma toxicidade específica e pode provocar uma inflamação intraocular aguda, do tipo endoftalmite, que pode conduzir a perda de visão. Deve ser, por isso, removido o mais cedo possível. A retenção de um corpo estranho intraocular de cobre pode provocar um quadro clínico de calcose, que é caracterizado por uveíte crónica, glaucoma, descoloração verde da íris, um anel de Kayser-Fleisher e catarata em girassol. Um IOFB de ferro também pode causar toxicidade. As manifestações na fase aguda são raras, mas a sua permanência no olho pode provocar depósitos endoteliais castanhos, descoloração acastanhada da íris, catarata, glaucoma, degenerescência pigmentar da retina e edema do disco ótico, que são características da siderose.

Descolamento da Retina  
 

Os casos de traumatismos oculares são tipicamente complexos. Uma correta gestão do tratamento exige uma estruturação completa e um planeamento...

Os casos de traumatismos oculares são tipicamente complexos. Uma correta gestão do tratamento exige uma estruturação completa e um planeamento adequado. O número de cirurgias programadas, as questões que devem ser abordadas em cada uma, e o intervalo entre elas deve ser previamente ponderado para minimizar o risco de complicações e maximizar a função visual. Geralmente são casos complexos que só devem ser abordados por cirurgiões vitreorretinianos experientes.

Após o traumatismo podem ocorrer vários tipos de descolamento da retina. O descolamento da retina traumático é uma complicação grave. O tempo que decorre entre o traumatismo e o descolamento da retina, varia de horas a anos e vários fatores podem influenciar este intervalo de tempo, tais como o tipo de rasgadura, a sua localização, hemorragia do vítreo, o estado do vítreo e a presença de tração vitreorretiniana.

A presença de tração vitreorretiniana pode provocar descolamento da retina e deve ser tratada especificamente. Existem duas opções cirúrgicas para neste caso: a endentação escleral, que diminui a tração, encurtando a distância entre dois pontos da força de tração. Nos casos de traumatismo, os vetores da tração vitreorretiniana são geralmente multidirecionais e, por isso, a endentação deve ser favorável; a vitrectomia via pars plana (VPP), que resolve a tração na sua origem, o vítreo. Esta resolve simultaneamente a tração dinâmica e a fixa e permite, também, a abordagem de outras patologias existentes. A VPP deve ser o mais completa possível.

O descolamento tracional da retina é causado pela tração vítrea, quando não há nenhuma rasgadura na retina, e normalmente a sua progressão é insidiosa. O procedimento cirúrgico de eleição é a VPP porque permite a eliminação da tração na sua origem, resolve a tração dinâmica e fixa, anterior (periférica), posterior e subretiniana.

Síndroma de Terson  
 

A síndroma de Terson é caracterizada pela presença de hemorragia intraocular, secundária a uma hemorragia subaracnoideia (mais comum) ou subdural....

A síndroma de Terson é caracterizada pela presença de hemorragia intraocular, secundária a uma hemorragia subaracnoideia (mais comum) ou subdural. Há várias hipóteses para explicar este facto. Aceita-se geralmente que o fluido no compartimento intracraniano extravascular provoca um aumento da pressão intracraniana que consequentemente leva a um aumento da pressão intraluminal nos canais venosos que drenam o globo ocular. Por sua vez, este aumento conduz a uma rotura das veias intraoculares e hemorragia.

A hemorragia pode ser subretiniana, intrarretiniana, prerretiniana (sub-hialóide) ou intravítrea. Da hemorragia pode também resultar um quisto macular hemorrágico (CMH). O CMH está presente em mais de 40% dos doentes com síndroma de Terson. Têm sido descritos dois tipos de CMH. O CMH submembranoso, com sangue acumulado sob a MLI, e no CMH prerretiniano, com sangue localizado entre a MLI e a hialoideia posterior. O quisto pode ter diversas aparências de acordo com a idade. Inicialmente é vermelho, tornando-se branco com a reabsorção do sangue, e transparente quando a sua reabsorção é completa.

A hemorragia intraocular, no contexto da hemorragia intracraniana, tem implicações no prognóstico. Nos doentes com hemorragia subaracnoideia e síndroma de Terson, a mortalidade é duas vezes maior do que em doentes com hemorragia intraocular. O risco de coma num doente com hemorragia intracraniana e síndroma de Terson duplica quando comparado com os casos que não têm hemorragia intraocular. Por este motivo, o exame dos doentes com hemorragia subaracnoideia ou subdural sob midríase é obrigatório.

As complicações oculares da síndroma de Terson incluem: formação de membranas epirretinianas, ambliopia, vitreorretinopatia proliferativa e descolamento da retina.

Mesmo sem qualquer intervenção, o prognóstico é bom. O tratamento deve ser ponderado tendo em consideração as características do doente, a acuidade visual e os achados no fundo. A vitrectomia via pars plana é o procedimento habitual nas hemorragias densas. Se existe CMH e de acordo com as suas características, é efetuada vitrectomia e uma eventual pelagem da MLI (com CMH pré-retiniano).